Após vários dias de medo e muita cautela, uma multidão de líbios saiu nesta segunda-feira às ruas da capital para começar a celebrar o que parece que já é o fim dos 42 anos de regime do coronel Muammar Kadafi. A festa começou pouco depois da última oração do dia na Praça Verde, no centro de Trípoli, onde voltou a soar o fosco som dos disparos, embora desta vez para expressar alegria. "Se foi, é verdade, já não há mais Kadafi", gritava entre lágrimas uma das poucas mulheres que tinham decidido se aproximar da praça até o momento deserta por temor dos combates e dos francoatiradores.
No entanto, as únicas detonações escutadas nesta segunda-feira foram as dos fuzis de um pelotão, que ao grito de "Líbia livre, Kadafi fora" deram uma volta completa correndo no local cantando solenemente o hino rebelde. "Amanhã é o último dia do Ramadã, mas já é o final da velha líbia. Ganhamos", declarava exultante Ahmad, chefe do pelotão. Enquanto seus homens recebiam as felicitações dos cidadãos, grupos de voluntários se ocupavam com os preparativos da grande festa de amanhã, uma vez que de forma oficial também acabará o mês de jejum muçulmano.
"Neste ano temos muitas coisas a celebrar. Obrigado líbia, obrigada a todos", assinalava Mohamad Abdel Salam, dono de um supermercado, enquanto via como as estantes voltavam a se encher de produtos.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civilque cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.
29-08-11 Fonte Site Terra.
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