Depois de homenagear o ex-vice-presidente da República José Alencar, morto nesta terça-feira vítima de câncer, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irão render as últimas homenagens a Alencar na manhã desta quinta em Belo Horizonte, onde ele deverá ser cremado. O avião presidencial deixará Brasília rumo à capital mineira por volta das 10h. Ao longo do dia, cerca de 150 coroas de flores foram enviadas ao Palácio do Planalto, em cujo Salão Nobre José Alencar foi velado desde hoje de manhã. Parentes e amigos, personalidades e anônimos buscaram dar o último adeus ao empresário e político mineiro. Até as 22h50, minutos antes do fechamento do velório, 8.050 pessoas haviam passado no local onde o corpo do ex-vice-presidente estava sendo velado. Na segunda cerimônia religiosa do dia, celebrada pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Dimas Lara Barbosa, o religioso destacou a importância da luta do "guerreiro vitorioso" contra diversos tipos de câncer. "A última palavra não pertencia à morte, pertencia à vida. Sem dúvida essa foi uma lição que José Alencar nos legou. Era impressionante o otimismo depois de cada cirurgia, de cada tentativa. Nosso irmão com certeza estava preparado. Sempre se manifestou muito confiante na mão de Deus", disse o representante da CNBB. No rito de encomendação, que durou cerca de 30 minutos na noite desta quarta, o filho caçula do ex-vice, Josué Gomes da Silva, fez a leitura do Livro da Sabedoria, ao passo que o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sergio, leu a Oração dos Fieis. Bastante emocionado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chorou sobre o caixão do ex-vice-presidente José Alencar, disposto com honras de chefe de Estado no Salão Nobre do Planalto. Acompanhado da presidente Dilma Rousseff, que foi mais contida, ele chegou por volta das 21h30 para a cerimônia final do velório e para o rito de encomendação do ex-vice-presidente. Dilma e Lula estavam em viagem a Portugal e anteciparam o retorno ao Brasil após a morte de Alencar, confirmada às 14h41 desta terça-feira. O corpo do ex-vice-presidente chegou à Base Aérea de Brasília pouco depois das 10h desta quarta e foi recepcionado pelo presidente em exercício, Michel Temer, pela viúva, Mariza Gomes da Silva, pelos três filhos, Patrícia, Maria da Graça e Josué, e pelos quatro netos Barbara, Josué, Ricardo e Davi.
Fé
A viúva de Alencar recebeu o consolo da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. Católica praticante, ela havia feito uma promessa há anos pela cura do câncer do marido. Ainda que dona de uma grande herança, resultado da construção do império têxtil de José Alencar, Mariza não usa joias como pagamento da penitência. Raul Cutait, médico de José Alencar no hospital Sírio Libanês, responsável por acompanhar todo o tratamento do ex-vice-presidente, atribuiu à fé a sobrevida do político contra os diversos cânceres contra os quais lutou durante mais de uma década. Cutait disse que a morte de Alencar aos 79 anos não representa o fim de relação afetiva que foi construída entre médico e paciente ao longo dos anos.
Alencar enfrentava câncer desde 1997
O empresário mineiro e ex-vice-presidente da República José Alencar morreu às 14h41 desta terça-feira, aos 79 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com nota oficial da instituição, Alencar morreu em decorrência de câncer e falência de múltiplos órgãos. Ele lutava contra a doença desde 1997. Ao todo, foi submetido a 17 cirurgias nos últimos 13 anos. O ex-vice-presidente foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira, com um quadro de suboclusão intestinal, em "condições críticas". Ele havia recebido alta em 15 de março, após uma internação de mais de um mês na instituição devido a uma peritonite (inflamação da membrana que reveste a cavidade abdominal) por perfuração intestinal. Alencar nasceu em 17 de outubro de 1931 em um povoado às margens de Muriaé, cidade de 100.063 mil habitantes no interior de Minas Gerais. Ele era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, com quem teve três filhos. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros (MG), a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), hoje um dos maiores grupos industriais têxteis do País. Estabelecido no setor empresarial, candidatou-se para o governo de Minas em 1994 e, em 1998, conquistou uma vaga no Senado Federal por Minas Gerais. Elegeu-se vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, tendo sido reeleito junto com o petista em 2006.
30-03-11 Fonte: Site Terra
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